domingo, 5 de maio de 2013

Alfabetização-Oralização e Escrita

Trabalho com aprendizes na fase alfabetização, que necessitam mais tempo para se apropriarem da linguagem escrita como forma de comunicação e função social.
Estou percebendo que há uma melhora considerável quanto a fase da oralização da leitura e da escrita quanto à fase  do registro escrito. 
Para analisar esta real situação e procurar maior entendimento e auxílio na prática alfabetizadora li um material sobre alfabetização multissensorial o qual me reportou a teoria da linguagem e do seu desenvolvimento  abordados  por Vygotsky.
Concordo com ele quando menciona a presença do outro na relação com a criança, o meio, os objetos, a interação e a comunicação são fatores essenciais e preponderantes para a concretização de aprendizagem cognitiva e escolar significativas com ou sem dificuldades de aprendizagem.
Compartilho este texto que pode nos ajudar como professores e como ferramenta para orientar os pais quanto a sua importância de participar ativamente no desenvolvimento de seus filhos quanto a cognição e alfabetização.
Bom proveito.Bom trabalho!
Rosangela Vali  

 VYGOTSKY e a LINGUAGEM
A linguagem tem a função de possibilitar o pensamento e permitir a comunicação ampla desse pensamento. É pela posse e pelo uso da linguagem, falando oralmente ao próximo ou mentalmente a si mesmo, que se consegue organizar o pensamento e torná-lo articulado com encadeamento, sequência e clareza. Com base nos estudos linguísticos, a linguagem, quer oral, quer escrita, constitui um todo em que as palavras se estruturam em frases, onde há uma relação de dependência significativa, formando uma seqüência de fatos. 

Segundo Vygotsky, a linguagem causa mudanças fundamentais no psiquismo humano: 

-permite ao homem lidar com o objeto do mundo exterior mesmo na ausência dele; 

-permite um processo de abstração, generalização e análise e possibilita ao homem preservar, transmitir e assimilar as experiências e informações acumuladas pela humanidade ao longo de sua história. 

A linguagem escrita é um processo que ativa o desenvolvimento psico-intelectual causando mudanças radicais nas crianças. Promove modos diferentes e ainda mais abstratos de pensar e de se relacionar com as pessoas e com o conhecimento. 

Para Vygotsky, existem diferenças entre a linguagem oral e escrita. Na linguagem oral o pensamento reflete-se em musicalidade, sonoridade, corporeidade, visualidade, expressão e entonação. Na linguagem escrita o pensamento reflete-se em imagens. Na oralidade o discurso é dialético, ou seja, há possibilidade de discussão. Na escrita o interlocutor está ausente. A escrita exige análise deliberada e consciência da estrutura dos signos enquanto na oralidade ela é mais informal. 

Isso reflete a maior complexidade na composição da linguagem escrita, pois deve-se tomar consciência da estrutura sonora da palavra, dissecá-la e reproduzi-la em símbolos alfabéticos, memorizados e estruturados antecipadamente. 

Na linguagem oral não há muita exigência cognitiva. 
No que se refere à aquisição e desenvolvimento da linguagem infantil o autor realizou estudos importantes embasado nas experiências de Koehler com macacos antropoides  Realizando comparações com as crianças em fase inicial da fala, estes experimentos e análises possibilitaram concluir que, no desenvolvimento infantil, o pensamento e a fala têm raízes diferentes e que ocorre na fala da criança um estágio pré-intelectual e consequentemente no desenvolvimento do pensamento um estágio pré-linguístico. Num determinado momento essas duas linhas se encontram e o pensamento torna-se verbal e a 
fala racional, quando há o domínio do significado.( VYGOTSKY, 2005, p.54) 

Na fase pré-linguística a criança experimenta o mundo e inicia o estabelecimento de uma comunicação através do choro e do balbucio que são suas primeiras manifestações de comunicação, motivada puramente por comportamento emocional e satisfação de necessidades primárias, ainda não há relação com o pensamento. 

A fase pré-verbal no desenvolvimento do pensamento e pré-intelectual no desenvolvimento da linguagem pode ser entendida pelo exemplo exposto por OLIVEIRA, 1995, P.46:”Antes de dominar a linguagem, a criança demonstra capacidade de resolver problemas práticos, de utilizar instrumentos e meios indiretos para conseguir determinados objetivos. Ela é capaz, por exemplo, de subir numa cadeira para alcançar um brinquedo.” Isso demonstra que a criança possui uma inteligência prática que permite que ela atue sobre o meio sem a necessidade da verbalização, apenas com o uso de instrumentos. 
No entanto, as funções sociais da fala manifestam-se muito cedo quando a criança reage positivamente a estímulos de seus familiares como busca de um alívio emocional ou para estabelecer uma relação social, demonstrando uma “ pré-intelectualidade no desenvolvimento da fala”.( VYGOTSKY, 2005, p.53) 
Ocorre então, mais ou menos aos dois anos de idade, a união do pensamento e da fala, que até então encontravam-se separadas, dando início a uma nova forma de comportamento.Esta nova forma refere-se ao início do entendimento, por parte da criança, de que ela tem domínio da verbalização e de que ela pode relacionar-se com os objetos, nominando-os. Este é o momento em que a fala começa a ser transformada em pensamento e onde pensamento e fala se encontram. 
Nesta fase a criança amplia seu repertório de palavras como que por necessidade de entender as relações entre os significados que estão atrelados às palavras. Ela percebe que os vocábulos são símbolos funcionais que estruturam o seu pensamento. O pensamento verbal e a linguagem racional alteram o aspecto biológico inicial para uma função social e histórica da fala. A criança estará inserida numa cultura cuja linguagem já encontra-se estruturada e organizada o que ampliará seus horizontes de pensamento verbal quando expandir a sua interação com o meio. “O sentido das palavras liga seu significado objetivo ao contexto de uso da língua e aos motivos afetivos e pessoais de seus usuários. Relaciona-se com o fato de que a experiência individual é sempre mais complexa do que a generalização contida nos signos.” ( OLIVEIRA, 1995, p. 50-51) 
Por conseguinte, Vygotsky defende que a leitura e a escrita devem ter significado para a criança e devem surgir da necessidade interior para serem, posteriormente, indispensáveis e relevantes para ela. Para existir uma verdadeira aprendizagem da linguagem escrita é imprescindível que o ato de ler e de escrever permita ao indivíduo o pensar e o expressar de suas idéias, opiniões e sentimentos. 
Considerando este aspecto: 
O ponto de vista de que som e significado, nas palavras, são elementos separados e com vidas separadas, tem sido muito prejudicial para o estudo tanto dos aspectos fonéticos quanto dos aspectos semânticos da linguagem.(...) essa separação entre som e significado é responsável em grande parte pela esterilidade da fonética e da semântica clássicas. (VYGOTSKY, 2005, p. 4) 
Em concordância a esse pressuposto, a leitura e a escrita não serão vistas pelas atitudes mecanicistas, mas sim através da consideração do aluno como um sujeito cogniscente, inserido num meio que lhe proporciona conflitos para que possa construir o desenvolvimento de sua linguagem. O autor referenda a importância da consideração do significado de um signo, inclusive a transformação destes significados ao longo da vida da criança. 
Para Vygotsky, os rabiscos são as primeiras manifestações gráficas da criança e são precursoras da escrita. Além disso, os desenhos e os gestos de faz-de-conta e as brincadeiras simbólicas também antecedem o processo de desenvolvimento. Essas brincadeiras e os desenhos serão os elos para a criança entender o simbolismo da linguagem escrita. Vygotsky,comenta: 13
A criança não aprende a escrita, complexo sistema de signos, através de atividades mecânicas e externas aprendidas na escola. O seu domínio da escrita resulta de um longo processo de desenvolvimento de funções comportamentais complexas, no qual participa e atua e que leva para a sala de aula. (VYGOTSKY-1984) 
Isso demonstra que ao se aprender o processo formal de alfabetização a criança inicia esta ação muito antes. Ao realizar gestos, brincadeiras quando muito pequena, ela simboliza as suas vivências, sendo um “start up” para a aprendizagem da oralidade e da escrita. 
As discussões de Vygotsky acerca da aquisição e desenvolvimento da linguagem oral e escrita ampliam-se, pois o autor, além do exposto, interessou-se em conceber as raízes genéticas do pensamento e da linguagem, no estudo da formação de conceitos pelas crianças, no desenvolvimento dos conceitos científicos na vida e na escola e na relação entre pensamento e palavra. O aprofundamento destas questões permitirão uma ampliação no entendimento das formas como a criança constrói sua relação com a cultura letrada e como os professores poderão interferir positivamente neste processo. 
A aprendizagem ocorre quando há inclusão de novos conhecimentos, valores e habilidades que são próprias da cultura e da sociedade. Pois ela nada mais é do que o produto da educação que outros indivíduos projetaram. 
Não se deve subordinar a aprendizagem ao desenvolvimento. 
Primeiro se desenvolve uma série de capacidades cognitivas e depois se pode iniciar o ensino de conceitos que envolvam estas capacidades. Segundo Vygotsky, para que possa haver desenvolvimento é necessário que se produza uma série de 
aprendizagens, que são uma condição prévia. A aprendizagem na interação com outras pessoas oferece a possibilidade ao indivíduo de avançar em seu desenvolvimento psicológico.

Neste link:
Fique a vontade para utilizar!

A seguir...
Ações pedagógicas para auxiliar nossos aprendizes:
• Atividades integradoras para estímulo ao trabalho em grupo.
• Ensinar som e nome das letras.
• Consciência fonológica e correspondência regular entre letra e som.  
• Início com as vogais com modelo e posteriormente sem. 
• Contato com material escrito, estímulo a oralidade e a audição.
• Estímulo às habilidades básicas de consciência fonológica e leitura. 
•Estímulos multissensoriais - atividades de estímulo auditivo, visual, cinestésico e tátil, para estabelecer conexões entre as formas ortográficas das palavras, a forma fonológica e os movimentos necessários para escrever. 
• Exercícios de coordenação motora para auxiliar na aquisição das formas ortográficas das letras e na consolidação mental. 
• Uso de fichas de leitura para construção da evolução do trabalho. 
• Exercícios fonoarticulatórios. 
• Uso de softwares pedagógicos. 
• Atividades artísticas. 
• Leitura literária. 
• Uso de literatura infantil e outros gêneros textuais.

Fonte: Alfabetização Multissensorial 

2 comentários :

  1. Ola vim conhecer teu cantinho e ja estou seguindo


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  2. Olá vi seu blog no Agenda dos Blogs e vim fazer minha visita, gostei do seu cantinho e te convido a conhecer o meu.

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Obrigada pela visita!
Um abraço, Rosangela

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Na aventura de aprender de nossas crianças e jovens,
pais e professores são a bússola para o caminho de
descobertas e aprendizagens significativas e felizes.
(Rosangela Vali - Pedagoga e Psicopedagoga)

"Somos diferentes, mas não queremos ser transformados em desiguais. As nossas vidas só precisam ser acrescidas de recursos especiais".

(Peça de teatro: Vozes da Consciência,BH)

MotivAÇÃO FAZ BEM!

Hoje Acordei Para Vencer! A automensagem positiva logo pela manhã é um estímulo que pode mudar o seu humor, fortalecer sua autoconfiança e, pensando positivo, você reunirá forças para vencer os obstáculos. Não deixe que nada afete seu estado de espírito. envolva-se pela música, cante ou ouça. Comece a sorrir mais cedo. ao invés de reclamar quando o relógio despertar, agradeça a Deus pela oportunidade de acordar mais um dia. O bom humor é contagiante: espalhe-o. Fale de coisas boas, de saúde, de sonhos, com quem você encontrar. Não se lamente, ajude as outras pessoas a perceber o que há de bom dentro de si. Não viva emoções mornas e vazias. Cultive seu interior, extraia o máximo das pequenas coisas. Seja transparente e deixe que as pessoas saibam que você as estima e precisa delas. Repense seus valores e dê a si mesmo a chance de crescer e ser mais feliz. Tudo que merece ser feito, merece ser bem feito. Torne suas obrigações atraentes, tenha garra e determinação. Mude, opine, ame o que você faz. Não trabalhe só por dinheiro e sim pela satisfação da "missão cumprida". Lembre-se: nem todos têm a mesma oportunidade. Pense no melhor, trabalhe pelo melhor e espere pelo melhor. Transforme seus momentos difíceis em oportunidades. Seja criativo, buscando alternativas e apresentando soluções ao invés de problemas. Veja o lado positivo das coisas e assim você tornará seu otimismo uma realidade. Não inveje. Admire! Seja entusiasta com o sucesso alheio como seria com o seu próprio. Idealize um modelo de competência e faça sua auto-avaliação para saber o que está lhe faltando para chegar lá. Ocupe seu tempo crescendo, desenvolvendo sua habilidade e seu tempo. Só assim não terá tempo para criticar os outros. Não acumule fracassos e sim experiências. Tire proveito de seus problemas e não se deixe abater por eles. Tenha fé e energia, acredite: Você pode tudo o que quiser. Perdoe, seja grande para os aborrecimentos, pobre para a raiva, forte para vencer o medo e feliz para permitir a presença de momentos infelizes. Não viva só para seu trabalho. Tenha outras atividades paralelas como: esportes, leitura... cultive amigos. O trabalho é uma das contribuições que damos para a vida, mas não se deve jogar nele todas as nossas expectativas de realizações. Finalmente, ria das coisas a sua volta, ria de seus problemas, de seus erros, ria da vida: "A gente começa a ser feliz quando é capaz de rir da gente mesmo". (Autor desconhecido)

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“Ninguém e nada cresce sozinho. Sempre é preciso um olhar de apoio. Uma palavra de incentivo. Um gesto de compreensão. Uma atitude de segurança. Devemos, assim, sermos gratos. Aos que nos ajudaram a crescer. E termos o propósito de não parar. E não passar em vão pela vida”. (autor desconhecido)

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a experiência humana,

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para a imaginação e

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(Lev S. Vygostsky)


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(Rosangela Vali - Pedagoga e Psicopedagoga)


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