quinta-feira, 1 de maio de 2014

ALFABETIZAÇÂO e Psicogênese / Emília Ferreiro


Ferreiro e Teberosky (1999) pesquisaram a psicogênese da escrita e suas investigações repercutiram amplamente sobre a noção de prontidão e pré-requisitos para a alfabetização, transferindo a ênfase dos aspectos relacionados a habilidades de coordenação motora e de acuidade auditiva para os aspectos relacionados à construção do mecanismo de representação, onde aprender a ler e escrever pressupõe que o alfabetizando tenha atingido a compreensão de que a escrita é um modo de representar e de que essa representação é realizada através do sistema alfabético.

Na opinião de Ferreiro e Teberosky (1999), o ponto de partida de toda aprendizagem é o próprio sujeito e não o conteúdo abordado. O sujeito a que as autoras se referem é o sujeito apresentado na teoria piagetiana: um sujeito cognoscente, intelectualmente ativo, que busca adquirir conhecimento, procura compreender o mundo que o cerca e deseja esclarecer os questionamentos provocados por este mundo.

Para o construtivismo, nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que seus supostos erros, porque evidenciam como ele "releu" o conteúdo aprendido. O que as crianças aprendem não coincide com aquilo que lhes foi ensinado.
Emília Ferreiro critica a alfabetização tradicional, porque julga a prontidão das crianças para o aprendizado da leitura e da escrita por meio de avaliações de percepção (capacidade de discriminar sons e sinais, por exemplo) e de motricidade (coordenação, orientação espacial etc.).
Dessa forma, dá-se peso excessivo para um aspecto exterior da escrita (saber desenhar as letras) e deixa-se de lado suas características conceituais, ou seja, a compreensão da natureza da escrita e sua organização. Para os construtivistas, o aprendizado da alfabetização não ocorre desligado do conteúdo da escrita.
Segundo Emília Ferreiro, a alfabetização também é uma forma de se apropriar das funções sociais da escrita.De acordo com suas conclusões, desempenhos díspares apresentados por crianças de classes sociais diferentes na alfabetização não revelam capacidades desiguais, mas o acesso maior ou menor a textos lidos e escritos desde os primeiros anos de vida.
Na sua opinião, há alguma diferença entre letramento e alfabetização.É possível alfabetizar sem letrar e letrar sem alfabetizar?


Para Emilia, o Brasil peca ao dissociar alfabetização de letramento, pois ambos ocorrem em comunhão.


Curiosamente, as críticas que Ferreiro teceu à Educação Brasileira em 2006 - ou seja, há 6 anos - continuam atuais e eminentes.
De acordo com a teoria exposta em Psicogênese da Língua Escrita, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada:
Pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;

Silábica: interpreta a letra a sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada uma;

Silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;
Alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.

"...a aprendizagem da leitura e da escrita não se dá espontaneamente; ao contrário, exige uma ação deliberada do professor e, portanto, uma qualificação de quem ensina. Exige planejamento e decisões a respeito do tipo, frequência, diversidade, sequência das atividades de aprendizagem. Mas essas decisões são tomadas em função do que se considera como papel do aluno e do professor nesse processo; por exemplo, as experiências que a criança teve ou não em relação à leitura e à escrita. Incluem, também, os critérios que definem o estar alfabetizado no contexto de uma cultura”.
Neste link, você encontra mais informações quanto á prática de observação e prática alfabetizadora em Psicopedagogia e Alfabetização.

http://psicopedagogialudica.blogspot.com.br/2013/03/psicopedagogia-e-alfabetizacao.html

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